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Superando a raiva: o que Jesus ensinou sobre a essência do conflito

  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Em nossas reflexões diárias, exploramos os ensinamentos de Jesus no Sermão da Montanha. Jesus tem uma maneira de abordar não apenas as questões superficiais, mas de chegar à raiz dos problemas que tocam o âmago do nosso ser. É exatamente isso que Ele faz com Suas próximas palavras no Sermão da Montanha.


A Raiz do Problema

“Vocês ouviram o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás; e quem matar será passível de julgamento’. Mas eu lhes digo que todo aquele que se irritar com seu irmão será passível de julgamento (Mateus 5:21-22).

Cometer homicídio é um pecado grave, mas Jesus também condenou até mesmo o pensamento de violência. O pecado começa na mente e no coração, onde as pessoas ponderam suas escolhas e decidem se vão agir. William Barclay explica essa luta espiritual da seguinte maneira:


O Condutor da Carruagem: Razão vs. Paixão

Platão comparou a alma a um condutor de carruagem cuja tarefa era conduzir dois cavalos. Um dos cavalos era dócil, submisso e obediente às rédeas e à palavra de comando; o outro cavalo era selvagem, indomável e rebelde. O nome de um dos cavalos era razão; o nome do outro era paixão. A vida é sempre um conflito entre as exigências das paixões e o controle da razão. A razão é a rédea que mantém as paixões sob controle. Mas uma rédea pode se romper a qualquer momento. O autocontrole pode baixar a guarda por um momento — e então o que pode acontecer? Enquanto houver essa tensão interior, esse conflito interno, a vida deve ser insegura. Em tais circunstâncias, não pode haver segurança. O único caminho para a segurança, disse Jesus, é erradicar para sempre o desejo pela coisa proibida. Somente então, e somente ali, a vida é segura. [1]

Quando alguém recebe o dom da nova vida em Cristo, o Espírito de Deus entra em seu coração e inicia um processo transformador em seu ser interior e em seu caráter. Tenho observado que o Espírito Santo, em Sua obra de nos moldar, frequentemente enfatiza partes específicas de nosso caráter. Para ilustrar, compartilharei abertamente sobre minha juventude, antes de abraçar essa nova vida em Cristo.


Do Barco de Pesca ao Espírito Santo


Antes de me converter a Cristo aos 23 anos, eu trabalhava como pescador comercial com meu pai em seu barco na costa de Harwich, Inglaterra. Quando um homem está longe de mulheres e crianças e entre outros homens do mundo, o pior nele muitas vezes é liberado. A pesca comercial era um trabalho perigoso e de alta pressão, e muitas coisas podiam criar atrito entre os colegas. Palavrões eram comuns, e os ânimos se exaltavam facilmente. Lembro-me de uma ocasião em que meu irmão, que trabalhava conosco, usava meu ombro como saco de pancadas enquanto praticava suas habilidades no boxe. Lembro-me de ficar tão furioso com ele que me lancei contra ele e tentei jogá-lo do barco no rio Deben, perto de Felixstowe, em Suffolk. O rio Deben é conhecido como um dos rios mais rápidos da Inglaterra, especialmente em sua foz. Se eu tivesse conseguido jogá-lo ao mar, a correnteza forte o teria puxado para baixo e o matado. Agradeço a Deus pela capacidade do Espírito Santo de nos transformar e moldar à imagem de Cristo.


Vivendo com as lembranças do nosso passado


Sempre que me sinto tentado a deixar minha raiva vir à tona, quando fico com raiva e sinto que ela está crescendo, lembro-me do dia em que eu poderia ter jogado meu irmão pela borda do barco. Há vários anos, visitei um amigo cuja sala de estar tinha um buraco na parede.

Quando perguntei por que ele não o tapava e pintava por cima, ele disse que mantinha o buraco para lembrá-lo da vez em que ficou tão furioso com a esposa que jogou uma faca nela, errou o alvo e a lâmina ficou cravada na parede. Ele precisava dessa lembrança para manter a raiva sob controle. Ele não ficou casado por muito tempo; a esposa logo o deixou, e ele ficou sobrecarregado com a culpa e a dor que vêm da perda de uma família. Quando deixamos a raiva crescer dentro de nós, não percebemos o mal que podemos causar se permitirmos que ela nos controle, em vez de ser o contrário.


Pai Celestial, por favor, conceda-nos autocontrole e caráter piedoso para controlar as rédeas de nossa vida interior. Keith Thomas


Reflita e responda


1. Identifique o seu “buraco na parede”

Todos nós temos “marcos” de nossos erros passados. Em vez de nos escondermos deles com vergonha, use-os como um “sinal de parada sagrado”. Quando sentir seu pulso acelerar, pare e visualize aquele momento de arrependimento do passado. Pergunte a si mesmo: “Esta frustração atual vale o custo potencial?”


2. O teste do “estalo”

Barclay menciona que a “corrente da razão” pode se romper. Não espere até que a corrente esteja esticada para agir. Identifique os sinais físicos da sua raiva logo no início — mandíbula cerrada, rosto quente ou respiração curta. Naquele momento, faça uma “oração de respiração” como a que está no final deste post: “Pai, conceda-me autocontrole.”


3. A auditoria interna

Jesus muda o foco das ações (homicídio) para as atitudes (raiva). Esta semana, tente perceber quando você estiver “assassinando” o caráter de alguém em sua mente ou com suas palavras. Lembre-se de que Deus está mais interessado na paz do seu coração do que na “retidão” do seu argumento.


Continue sua jornada…

Para mais meditações e estudos diários na Bíblia, clique nos seguintes links:


[1] William Barclay, The Daily Study Bible, O Evangelho de Mateus, Vol. 1. Impresso pela Saint Andrew Press, Edimburgo. Páginas 136-137.

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