O que significa ser pobre em espírito? Compreendendo Mateus 5:3
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Nossas meditações diárias se concentram no mandamento de Jesus aos Seus seguidores de fazer discípulos. Hoje, deixaremos de meditar sobre a vida de Abraão para explorar alguns dos ensinamentos do Senhor Jesus. Nos próximos dias, examinaremos o que Ele ensinou aos Seus discípulos em Mateus 5-7.
Pobreza de espírito versus pobreza financeira
No Sermão da Montanha, o Senhor Jesus ensinou que o caminho para cima é o caminho para baixo. Ele disse: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3). As pessoas são aprovadas espiritualmente por Deus quando são pobres em espírito. Alguns interpretaram isso como significar abrir mão de tudo e se retirar para um mosteiro pelo resto da vida, renunciando a todos os bens materiais. Embora essa possa ser a orientação do Senhor para alguns, conforme Ele os conduz, o foco aqui é a pobreza de espírito, não a pobreza financeira. Em todo o mundo, algumas pessoas se sentem indignas e oprimidas pelo sistema deste mundo. Elas podem ter esperança! A elas é dado o reino dos céus. Aqueles que reconhecem sua própria necessidade se posicionaram para acessar o que Deus tem reservado para eles em Seu reino.
O Significado de “Ptochus”: Tornando-se um Mendigo Espiritual
Quando as pessoas chegam a um ponto em suas vidas em que se sentem no fim de si mesmas, elas começam a olhar para cima e clamar a Deus. Esse quebrantamento se assemelha ao degrau mais baixo de uma escada, em sentido espiritual. O quebrantamento representa um estado de pobreza espiritual. No grego original de “pobres de espírito”, a palavra traduzida como “pobres” é ptochus, que significa “encolher-se e humilhar-se como um mendigo”. O comentarista R. Kent Hughes oferece uma visão sobre por que Jesus usou essa palavra em vez de outro termo grego tipicamente usado para descrever alguém pobre:
O Novo Testamento ecoa essa ideia, pois denota uma pobreza tão profunda que uma pessoa precisa ganhar a vida mendigando. Ela depende totalmente da generosidade dos outros e não consegue sobreviver sem ajuda externa. Assim, uma excelente tradução é “pobre como um mendigo”.[1]
Por que Jesus escolheria especificamente essa palavra, que ilustra o fato de ser “pobre como um mendigo”? Estamos dizendo que, quando as pessoas vêm a si mesmas e percebem que não têm nada dentro de si para apresentar como adequado para aprovação ou aceitação diante de um Deus Santo, ou seja, nenhuma justiça de sua própria autoria, e são pobres como mendigos em posição espiritual e falidas em recursos espirituais, então esse é o seu lugar de louvor diante de Deus. “Deus resiste aos orgulhosos, mas dá graça aos humildes” (1 Pedro 5:5-6). Em outra passagem das Escrituras, o Senhor Jesus compartilhou uma parábola para explicar a primeira Bem-aventurança, ou seja, o degrau mais baixo da escada espiritual:
Uma história de duas orações: humildade x orgulho
9Ele também contou esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, achando-se justos, e tratavam os outros com desprezo: 10“Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano. 11O fariseu, em pé sozinho, orava assim: ‘Deus, eu te agradeço por não ser como os outros homens, extorsionários, injustos, adúlteros, ou mesmo como este cobrador de impostos. 12Jejuo duas vezes por semana; dou o dízimo de tudo o que recebo.’ 13Mas o cobrador de impostos, mantendo-se à distância, nem sequer levantava os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo:
‘Deus, tem misericórdia de mim, pecador!’ 14Digo-vos que este homem voltou para casa justificado, ao contrário do outro. Pois todo aquele que se exalta será humilhado, mas aquele que se humilha será exaltado” (Lucas 18:9-14).
Encontrando a posição correta diante da cruz
As pessoas não se aproximam de Deus a menos que o façam com humildade e reconhecimento de sua pobreza espiritual, implorando por perdão e confessando sua fragilidade diante de um Deus santo. O grego destaca a parte final do versículo: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus; somente deles é o reino dos céus.” Essa humildade deve nos levar à cruz, onde o verdadeiro arrependimento envolve reconhecer nossa pobreza espiritual (Mateus 18:25). Por meio disso, alcançamos a posição correta diante de Deus. Quando reconhecemos nossa necessidade de perdão, o Pai responde revestindo-nos com Sua justiça por meio do poder redentor da cruz. Isso não é meramente uma melhoria, mas uma troca completa — nossa justiça pela Sua justiça perfeita. Para manter nossas meditações em uma leitura diária de 3 minutos, vamos examinar isso um pouco mais amanhã.
Aplicação: Como Viver Isso
Aplicar a “pobreza de espírito” é difícil porque nossa cultura valoriza a autossuficiência. Aqui estão três maneiras de ajudá-lo a aplicar esta meditação:
1. A Oração Matinal das “Mãos Vazias”. Antes de checar seu celular ou começar o dia, passe um minuto em silêncio com as palmas das mãos voltadas para cima. Reconheça diante de Deus: “Senhor, não tenho nada a oferecer neste dia com minhas próprias forças. Sou um mendigo espiritual que precisa da Tua graça.” Essa postura física reforça o estado mental de ptochus.
2. Analise seus “momentos farisaicos” Ao longo do dia, perceba quando você se sentir moralmente superior a outra pessoa (um colega de trabalho, um motorista no trânsito ou um membro da família). Quando surgir aquele pensamento “Ainda bem que não sou como eles”, pare e faça a oração do publicano: “Deus, tem misericórdia de mim, pecador.” Isso nivela o campo de jogo imediatamente.
3. Abrace o “fim de si mesmo” Quando você bater de frente com um obstáculo — seja exaustão, um erro no trabalho ou uma falha na criação dos filhos — não tente superar isso com “autoajuda”. Use esse momento de fragilidade como um sinal para parar e dizer: “Este é o degrau mais baixo da escada. Estou pronto para que o Teu Reino assuma o controle aqui.” Keith Thomas
Continue sua jornada…
Para mais meditações e estudos diários na Bíblia, clique nos seguintes links:
[1] R. Kent Hughes. O Sermão da Montanha. Publicado pela Crossway Books, Wheaton, IL, 2001. Página 17.


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