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4. The First Miracle of Jesus

O Primeiro Milagre de Jesus

João 2

O Evangelho segundo João

 

Como dissemos nos estudos anteriores, a intenção de João ao escrever o Evangelho é provar que Jesus é o Messias prometido. Para que seus leitores acreditem e depositem sua fé em Cristo, João agora nos dá o primeiro de vários sinais e milagres.

 

1No terceiro dia houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava ali; 2Jesus e seus discípulos também haviam sido convidados para o casamento. 3Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. 4Respondeu Jesus: “Que temos nós em comum, mulher? A minha hora ainda não chegou”. 5Sua mãe disse aos serviçais: “Façam tudo o que ele mandar”. 6Ali perto havia seis potes de pedra, do tipo usado pelos judeus para as purificações cerimoniais; em cada pote cabiam entre oitenta e cento e vinte litros. 7Disse Jesus aos serviçais: “Encham os potes com água”. E os encheram até a borda. 8Então lhes disse: “Agora, levem um pouco ao encarregado da festa”. Eles assim fizeram, 9e o encarregado da festa provou a água que fora transformada em vinho, sem saber de onde este viera, embora o soubessem os serviçais que haviam tirado a água. Então chamou o noivo 10e disse: “Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora”. 11Este sinal milagroso, em Caná da Galileia, foi o primeiro que Jesus realizou. Revelou assim a sua glória, e os seus discípulos creram nele (João 2:1-11).

 

O Estigma que Maria Suportou

 

Hoje não usamos muito a palavra estigma, mas essa palavra descreve uma marca de desgraça associada a uma circunstância específica que uma pessoa experimentou. Antes de olharmos para o milagre, vamos tentar nos colocar no lugar de Maria, a mãe de Jesus. Desde que engravidara, havia uma mancha em sua reputação, um estigma social com o qual viveria a cerca de trinta anos.

 

Naqueles dias, se uma mulher ficasse grávida fora do casamento, era apedrejada até a morte por infidelidade. José nunca a acusou publicamente por esse motivo, mas deve ter sido difícil para ele entender. Como Maria poderia estar grávida sem conhecer um homem? É certo que essa pergunta deve ter sido objeto de conversas abafadas entre sua família e aqueles que a conheciam bem.

 

Maria havia sido falsamente acusada de sexo fora do casamento, um pecado grave para uma jovem judia. José havia sido informado por um anjo sobre sua miraculosa concepção, mas ela ainda tinha que suportar a vergonha, pois sem revelação divina, quem poderia acreditar em uma história dessas? Como ela poderia explicar, até para sua própria família, que era virgem no nascimento de Jesus?

 

Como você acha que Maria se sentiu ao saber que Herodes havia ordenado matar todos os bebês de Belém com menos de dois anos? (Mateus 2:16). Essa jovem mãe enfrentou o medo genuíno de que seu filho fosse caçado e talvez morto por Herodes, se ele desconfiasse que o seu bebê era o Messias prometido.

 

O Evangelho de Mateus registra que um anjo havia avisado José sobre a intenção assassina de Herodes e que ele deveria levar Maria e o bebê Jesus ao Egito por um tempo (Mateus 2:13). Eles obedeceram ao aviso do anjo e, após a morte de Herodes, José e Maria voltaram a Nazaré na Galileia, na esperança de viver uma vida normal tranquila. Que jornada essa jovem família já havia experimentado! Após o nascimento de Jesus em Belém e a subsequente viagem ao Egito, eles agora enfrentavam o desafio de se estabelecer na comunidade de Nazaré, embora seja certo que Jesus cresceu com o estigma associado àqueles cuja linhagem foi questionada. A linhagem de sangue e a herança familiar de uma pessoa eram muito importantes na época em que Jesus vivia. Em termos sociais, isso definia quem você era para os outros.

 

Parece que os fariseus e os líderes judeus que O odiavam haviam enviado seus espiões a Nazaré para verificar os detalhes de Seu nascimento ou Sua linhagem. Em uma conversa acalorada com Jesus, a elite religiosa sugeriu que Ele era ilegítimo, “Nós não somos filhos ilegítimos. O único Pai que temos é Deus” (João 8.41). Em outro lugar, ao falar com o homem que havia nascido cego e que fora curado por Jesus, eles disseram: “Para a glória de Deus, diga a verdade. Sabemos que esse homem [Jesus] é pecador” (João 9:24).

 

Tenho certeza de que Maria ansiava que a verdade fosse revelada sobre quem era Jesus e que sua reivindicação fosse completa. Quando Jesus se despediu de Sua família em Nazaré, a caminho de ser batizado por João Batista, Maria talvez sentisse que finalmente sua justificação havia chegado.

 

O casamento em Caná da Galileia

 

A ocasião foi um casamento em Caná da Galiléia, uma cidade a cerca de 6,5 km da cidade natal de Maria e Jesus, Nazaré. Podemos supor que, por causa de Maria, Jesus e Seus discípulos foram convidados, e que o casamento provavelmente tenha sido de um amigo ou parente próximo. José, o marido de Maria, deve ter morrido em algum momento após o décimo segundo aniversário de Jesus, pois esse é o último momento registrado em que José esteve com Maria e Jesus (Lucas 2: 41-51). É muito provável que, depois que José morresse, a responsabilidade financeira dependesse de Jesus como o filho mais velho, para ser o ganha-pão da família até que Seus irmãos crescessem.

 

Maria teve quatro filhos após o nascimento de Jesus e pelo menos duas filhas. Jesus era conhecido como filho do carpinteiro (Mateus 13: 54-57). Não sabemos quem foi o responsável pelo bufê do casamento em Caná, mas faz sentido supor que Maria sentiu algum nível de cuidado e responsabilidade, pois foi ela quem disse que o vinho havia acabado em vez do mestre de cerimônia do banquete. O mestre do banquete certamente não sabia nada sobre o problema, como evidenciado por sua falta de conhecimento quando a água foi transformada em vinho (v. 9). A maneira como os mordomos olharam para Maria em busca de orientação é, talvez, uma indicação de que o casamento foi ocasião de um parente, amigo íntimo ou mesmo um dos meio-irmãos de Jesus.

 

A hospitalidade foi, e ainda é, o mais importante no Oriente Médio. Nessa cultura, o noivo quem era o responsável pelas despesas do casamento. Os pais da noiva poderiam processar a família se as pessoas deixassem as festividades insatisfeitas ou pensassem que o serviço estava abaixo do esperado. As pessoas bebiam vinho porque era mais seguro de se beber, devido ao processo de purificação pelo qual passavam; a água era mais suspeita, pois os sistemas de esgoto não eram como são hoje. Nunca se sabia o que havia acontecido com a água dos córregos.

 

Ficar bêbado era desaprovado, e, se o teor alcoólico do vinho era alto, este era diluído. Vinho com jantar era a norma para adultos na região do Mediterrâneo e no Oriente Médio. Muitos anos atrás, em uma viagem missionária de curto prazo que nos levou a França, Espanha e Portugal, para visitar e ajudar plantadores de igrejas e pastores, visitamos um pastor em Portugal e, enquanto estávamos comendo, recusei o vinho durante o jantar. Ele me disse como era estranho para a cultura da região não beber vinho no jantar.

 

O vinho era essencial para uma festa de casamento no Oriente Médio. A Bíblia diz: “O vinho, que alegra o coração do homem” (Salmos 104:15). Os rabinos tinham um ditado: "Sem vinho, não há alegria". Essa visão era típica da vida religiosa antes da vinda de Jesus. A elite religiosa converteu o judaísmo em um fardo pesado, e a alegria desapareceu. Na cultura judaica, um copo de vinho era o emblema da alegria de compartilhar com os amigos.

 

O vinho acabando teve um significado simbólico neste casamento. Era como se Maria estivesse dizendo: "a alegria deles acabou". A vida pode ser assim; pode tornar-se uma rotina diária, uma falta de alegria na vida sem nada para o que esperar. “Se o machado está cego e sua lâmina não foi afiada, é preciso golpear com mais força” (Eclesiastes 10:10). Nossas vidas ficam monótonas devido ao excesso de trabalho e nossa energia é drenada quando há pouca diversão e nenhuma alegria. Muitas pessoas buscam alegria perseguindo o sucesso, mas nunca ouvi falar de uma pessoa dizendo no leito de morte: "Gostaria de ter passado mais tempo no escritório".

 

Outros passam por desafios financeiros, que os tentam a trabalhar mais e levam menos tempo para as coisas divertidas da vida que não custam nada, como desfrutar de um relacionamento próximo com a família e os amigos. (Se você não tem familiares e amigos por perto, comece um pequeno grupo! Abra sua casa para outras pessoas. Deixe a alegria do Senhor se tornar sua força vivendo uma vida que inclui o prazer dos relacionamentos e o tempo compartilhado em família):

 

Venham, todos vocês que estão com sede, venham às águas; e, vocês que não possuem dinheiro algum, venham, comprem e comam! Venham, comprem vinho e leite sem dinheiro e sem custo (Isaías 55:1 / Ênfase minha).

 

Na passagem acima, as Escrituras não estão falando sobre vinho de verdade; devemos comprar o vinho da alegria sem dinheiro e custo. Como compramos sem custo? Devemos chegar à fonte de toda a Água Viva, a verdadeira Videira (João 15: 1), o Senhor Jesus Cristo, e beber profundamente Dele. Podemos fazer isso investindo tempo lendo Sua Palavra, a Bíblia e dedicando tempo pessoal em oração. A transação é feita quando pagamos com nossa pobreza e falência espiritual, entregando-nos em Suas mãos para receber toda a vida que Ele nos promete. Isso não soa como um bom negócio? Você nunca poderia encontrar um negócio tão excelente no mercado de ações!

Se quisermos ser sábios ao comprar e vender nesta vida, perceberemos que isso tem mais a ver com o que dedicamos às nossas vidas, trocando nossos recursos limitados pela riqueza de recursos ilimitados. Muitos estão procurando a felicidade nesta vida, mas a palavra felicidade vem de uma antiga palavra inglesa hap, e se refere às coisas que acontecem conosco. A alegria não depende de nossas circunstâncias, isto é, o que acontece conosco, mas a verdadeira alegria flui ao receber nova vida em Cristo. Deus promete que, se chegarmos ao poço da vida, nunca teremos sede. Ele nos prometeu vida em abundância (João 10:10).

 

Pergunta 1) Pense em uma época de sua vida em que você mais gostou. O que houve naquele tempo que o tornou tão agradável?

 

Os momentos mais agradáveis ​​da minha vida foram quando estive em um relacionamento próximo com os outros e com Deus. Minha coisa favorita a fazer na vida é sentar em volta de uma mesa durante uma refeição com os amigos. Os momentos de comemoração com os amigos estão entre os mais memoráveis ​​para a maioria das pessoas. O dilema da festa de casamento de Caná naquele dia precisava de uma solução. Maria fez algo sobre o problema. Ela foi a Jesus e disse: "Eles não têm mais vinho" (João 2: 3).

 

Maria sabia o que Jesus faria sobre o problema? Em nossa passagem em João 2, versículo 11, este foi o primeiro milagre de Jesus, por isso não sabemos se Maria esperava algo milagroso, mas apenas que ela estava confiando Nele em uma situação difícil, esperando que Ele tivesse uma resposta. Talvez ela estivesse esperando que Jesus desse uma desculpa decente para os presentes ou fizesse algum discurso para que as pessoas não bebessem enquanto o noivo compraria mais vinho.

 

Até esse ponto, até onde sabemos, Maria não fazia ideia do que Jesus era capaz de fazer. As Escrituras indicam que foi no Seu batismo por João Batista que o Espírito veio sobre Ele como uma pomba. Lucas registra que Jesus estava cheio do Espírito Santo ao retornar do batismo no rio Jordão (Lucas 4: 1, 14). Maria nunca o testemunhou se mover milagrosamente até este ponto.

 

Depois do batismo, quando Jesus chegou a Nazaré, sua cidade natal, e pregou e curou os doentes, o povo respondeu com surpresa, dizendo: “De onde lhe vêm estas coisas? ", [...]"Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E estes milagres que ele faz? ” (Marcos 6:2). O testemunho deles era que, durante todo o tempo em que Jesus viveu entre eles, nunca haviam ouvido falar dele fazendo milagres. Devemos lembrar que, para as pessoas na cidade natal de Jesus, Ele ainda era apenas o filho do carpinteiro.

 

No entanto, Maria sempre valorizou Sua verdadeira identidade em seu coração, sabendo que Ele era o Messias. Talvez, nesse casamento, ela se perguntasse se finalmente era hora de esse fato se tornar aparente para os outros. Maria estava confiante de que Jesus era mais do que capaz de resolver o problema. Ao responder a Maria, no entanto, a resposta de Jesus a princípio parece negativa; "Que temos nós em comum, mulher? A minha hora ainda não chegou" (João 2:4). Em inglês, chamar sua mãe de "mulher" não é um bom termo para usar, mas na cultura da época em Israel, é semelhante a usarmos a palavra "Madame" ou "Senhora". Não seria desrespeitoso.

 

Pergunta 2) Agora que o Espírito havia enchido Jesus no batismo de João, o que Jesus quis dizer com a frase: "Minha hora ainda não chegou?"

 

Minha Hora Ainda Não Chegou

 

Jesus não veio buscar Sua glória, mas a glória do Pai, e esse ato principal de glória foi desistir de Sua própria vida pela redenção do homem. Jesus estava focado em Sua missão. Cristo sabia que chamaria a atenção dos líderes religiosos. Seu propósito terminaria com o sacrifício de Sua vida. Havia apenas uma maneira pela qual o homem podia ser comprado da escravidão do pecado: Cristo dando Sua vida como um substituto no lugar do homem. Esse sacrifício substitutivo não poderia ser um mero mortal, pois como um homem poderia pagar pelos pecados do mundo inteiro?

 

7Homem algum pode redimir seu irmão ou pagar a Deus o preço de sua vida, 8pois o resgate de uma vida não tem preço. Não há pagamento que o livre 9para que viva para sempre e não sofra decomposição (Salmos 49:7-9).

 

Somente Deus pode conceder a salvação ao homem. Um homem normal jamais poderia pagar o preço do resgate. Deus interveio e se tornou homem, para que somente o Pai fosse glorificado. Entrar em um relacionamento correto com Deus é a única coisa que pode restaurar a verdadeira alegria, e o único que pode fazer isso é o próprio Deus - Jesus, o divino Filho de Deus. Ele abriu o caminho da salvação para nós através do pagamento do justo castigo pelo pecado - a morte!

 

Jesus disse a Maria que o Seu tempo ou hora ainda não havia chegado; o que Ele quis dizer com isso? – Você também pode encontrar essa fala de Jesus em outros episódios no Evangelho de João (7:30; 8:20). Jesus estava falando sobre como deveria glorificar o Pai através de Sua morte substitutiva na cruz.

 

Quando o Domingo de Ramos chegou, poucos dias antes de Sua crucificação, um grupo de gregos veio ver Jesus. Foi nessa época que Jesus lhes disse que chegara o Seu tempo ou a Sua hora:

 

23Jesus respondeu: "Chegou a hora de ser glorificado o Filho do homem. 24Digo-lhes verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto. 25Aquele que ama a sua vida, a perderá; ao passo que aquele que odeia a sua vida neste mundo, a conservará para a vida eterna. 26Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu Pai o honrará. 27"Agora meu coração está perturbado, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não; eu vim exatamente para isto, para esta hora. 28Pai, glorifica o teu nome! " Então veio uma voz do céu: "Eu já o glorifiquei e o glorificarei novamente". (João 12:23-28/ Ênfase minha).

 

Deus é mais glorificado quando nós também nos prostramos ao chão e morremos para nós mesmos. Esse ato de morrer para si mesmo significa que tomamos a nossa cruz e seguimos Jesus. Se morrermos para nós mesmos, haverá uma colheita que Deus trará. O que acontece com uma semente quando é enterrada no chão? A casca externa se abre e a vida que está dentro da semente começa a se manifestar e crescer. A hora de Jesus havia chegado, e Ele obedientemente deu Sua vida, de modo que o preço do resgate pelos nossos pecados foi pago.

 

A quem você pede conselhos ou ajuda quando tem um problema a resolver? Alguns se voltam para seus cartões de crédito. Outros se voltam para o intelecto, habilidades naturais ou força. Há também aqueles que procuram ajuda de Maria, mãe de Jesus, mas qual foi o único mandamento de Maria já registrado? “Façam o que Ele [Jesus] mandar” (João 2: 5). É um bom conselho de Maria olharmos para o Senhor e conhecermos Sua orientação para os problemas que encontramos na vida. Temos recursos, ou seja, a Palavra de Deus, a oração e o Espírito Santo. Se buscarmos a Sua vontade, podemos ter certeza de que Ele nos revelará Seus caminhos.

 

O Senhor viu seis potes de pedra usados ​​para lavar os pés e as mãos cerimoniais. É significativo que eles estivessem vazios (v. 7); eles tiveram que enchê-los com água. Os jarros eram feitos de pedra, como o coração duro e frio de um homem sem Cristo. Precisamos da Sua Palavra e presença para trazer alegria de volta à vida. Em cada um dos seis potes cabia entre oitenta a cento e vinte litros de água (João 2: 6). O Senhor disse aos mordomos que enchessem cada vaso até a borda e depois levassem um pouco dessa água para o mestre de cerimônias. Eles devem ter se perguntado o que Cristo estava pensando. Por que eles serviriam a água aos convidados com a qual deveriam usar para limpeza?

 

Imagine a surpresa dos servos que colocaram água do córrego em cada pote. Quando uma colher foi mergulhada, saiu vinho, e não apenas um bom vinho, mas um vinho excepcional! O mestre de cerimônias ficou muito surpreso com a qualidade desse vinho e tão impressionado que disse ao noivo: “Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora” (João 2:10).

 

Marcos testemunha que Jesus “faz tudo muito bem” (Marcos 7:37). Sabendo disso, por que Ele deveria fazer vinho barato, especialmente considerando que os noivos sempre se lembrariam desse dia e falariam da história de seu casamento pelo resto de suas vidas? Eu gosto de pensar que Maria deu a volta com um sorriso no rosto, dizendo a todos no casamento: "Esse é o meu garoto!", como uma orgulhosa mãe judia. Você não acha que Maria voltou para casa se sentindo orgulhosa de seu filho naquele dia? Quem voltou para casa com o restante dos mais de 500 litros do melhor vinho, voltou abençoado e feliz, tenho certeza! A Escritura diz que Ele revelou Sua glória e que Seus discípulos confiaram Nele com este primeiro de Seus sinais milagrosos (João 2:11).

 

Jesus Purifica o Templo

 

12Depois disso ele desceu a Cafarnaum com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos. Ali ficaram durante alguns dias. 13Quando já estava chegando a Páscoa judaica, Jesus subiu a Jerusalém. 14No pátio do templo viu alguns vendendo bois, ovelhas e pombas, e outros assentados diante de mesas, trocando dinheiro. 15Então ele fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas e virou as suas mesas. 16Aos que vendiam pombas disse: "Tirem estas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado! " 17Seus discípulos lembraram-se que está escrito: "O zelo pela tua casa me consumirá". 18Então os judeus lhe perguntaram: "Que sinal miraculoso o senhor pode mostrar-nos como prova da sua autoridade para fazer tudo isso? " 19Jesus lhes respondeu: "Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias". 20judeus responderam: "Este templo levou quarenta e seis anos para ser edificado, e o senhor vai levantá-lo em três dias? " 21Mas o templo do qual ele falava era o seu corpo. 22Depois que ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se do que ele tinha dito. Então creram na Escritura e na palavra que Jesus dissera. 23Enquanto estava em Jerusalém, na festa da Páscoa, muitos viram os sinais miraculosos que ele estava realizando e creram em seu nome. 24Mas Jesus não se confiava a eles, pois conhecia a todos (João 2:12-24).

 

Era a celebração anual da Páscoa. Josefo, o historiador judeu, afirmou que cerca de 2,5 milhões de visitantes passariam por Jerusalém durante este tempo solene de lembrar a partida de Israel do Egito, sob a liderança de Moisés. Imagine que você foi um dos muitos peregrinos que economizou seu dinheiro durante anos para visitar o Deus de Israel em Seu templo em Jerusalém.

 

As pessoas viajavam por estrada e navio por muitas semanas para ir a este impressionante edifício construído pelo rei Herodes no topo do Monte Moriá. Esse monte foi o lugar onde Deus testou Abraão para oferecer seu filho Isaque (Gênesis 22: 2). Como um desses peregrinos, você desejaria experimentar a presença de Deus e desfrutar das sossegadas cortes do Senhor para orar e experimentar a paz de Deus.

 

O rei Davi (Salomão, Ezequias e Neemias) havia morado e andado por onde os homens estavam andando. Gerações e gerações já visitaram este local sagrado. Eu já estive no monte desse templo várias vezes e fiquei admirado ao olhar para as pedras antigas no muro de contenção que remontam ao Templo de Herodes. Algumas pedras pesam até 200 toneladas. É uma visão impressionante – no verdadeiro significado da palavra. Quando alguém sobe os degraus até o monte do templo, a presença do próprio Deus parece persistir, mesmo que o próprio templo não esteja mais lá.

 

Enquanto Jesus caminhava naquele dia pelo pátio do Templo, seu coração afundou ao ver o que estava acontecendo. O pátio havia sido tomado por cambistas e comerciantes, contratados por Anás e Caifás, os sumos sacerdotes da época. Se você fosse um gentio (não judeu), o pátio era o lugar mais próximo que você poderia chegar ao Templo, onde alguém poderia experimentar a presença de Deus. Os gentios não podiam avançar para mais perto. Jesus ficou zangado quando viu pássaros e animais sendo comprados e vendidos a preços exorbitantes para cobrir os bolsos de Anás e Caifás. O Templo estava sendo comercializado e transformado em comercio!

 

Questão 3) A religião é altamente comercializada hoje. Como você se sente ao ver as coisas de Deus se tornando fontes de lucro? Quais perigos advêm sobre essa prática?

 

Em vez de os adoradores experimentarem a presença de Deus, havia uma atmosfera barulhenta de mercado no pátio deste lugar sagrado. Aqueles que eram pobres e traziam um cordeiro perfeito para o sacrifício na Páscoa, tinham seus cordeiros inspecionados e recusados por nenhuma outra razão senão o fato de que o sumo sacerdote, Anás, queria que apenas os animais que ele tinha à venda fossem comprados e sacrificados.

 

Anás e Caifás tinham uma operação bastante lucrativa no que deveria ter sido um local de culto. Um animal comprado dentro do pátio do Templo custaria quinze vezes mais do que um animal comprado fora. Anás presidiu tudo o que estava acontecendo e foi responsável por esse sistema de compra e comércio que explorava os pobres. O imposto do templo também tinha que ser pago e os visitantes de diferentes nações também eram explorados financeiramente.

 

Era uma prática injusta e desonesta. Teria entristecido qualquer verdadeiro adorador que entendesse como as pessoas eram tratadas em nome de Deus. Quando Jesus se aproximou do pátio do Templo, estava na hora do confronto! O Senhor se opôs ao Sumo Sacerdote, sua família e outros oficiais corruptos que estavam supervisionando esse esquema de ganhar dinheiro.

 

Sua paixão pelo Nome e pela glória de Seu Pai irrompeu em ira controlada. Jesus ficou indignado com a audácia e ganância deles. Apenas imagine a cena! O dinheiro estava rolando por toda parte, e as pessoas estavam lutando por tudo que podiam agarrar quando as mesas foram viradas. Pombas foram libertadas em vez de usadas para lucro desonesto. A imagem era de caos no pátio do Templo.

 

Você pode imaginar a indignação dos oficiais judeus ao serem desafiados por alguém que eles acreditavam ser um homem

 

ilegítimo de Nazaré? Onde Ele conseguiu Sua autoridade para agir dessa maneira? Eles podem ter pensado: "Como Ele pode dizer que não podemos vender nossos produtos nos arredores do Templo?" Certamente Jesus deve ter sabido que Seu comportamento não lhe valeria amigos ou favores no pátio do templo. Suas ações corajosas exemplificaram sua paixão e entusiasmo pela casa de Seu Pai. Mais uma vez, vemos que Ele é singular em Sua missão de glorificar o Pai.

 

Jesus demonstrou amor e preocupação pelos pobres, desamparados e isolados da sociedade. Como representantes de Cristo, damos a mesma consideração às pessoas? Infelizmente, somos frequentemente influenciados mais pela cultura ao nosso redor do que por Cristo dentro de nós. Nem sempre vemos a injustiça cometida ou as oportunidades de atender às necessidades alheias.

 

Podemos ficar dessensibilizados para pecar quando vivemos no meio do pecado. Quando Deus vem a uma situação, Ele traz à luz as coisas feitas em segredo. Algumas dessas coisas podem ter sido toleradas, mas chegará o dia em que Ele não as tolerará mais. As Escrituras dizem que o julgamento deve primeiro começar na casa de Deus (1 Pedro 4:17). Ele é um defensor dos vulneráveis. Quando chegar o Dia do Senhor, Ele trará justiça com Ele.

 

4) Que coisas você acha que Jesus mudaria em nossa cultura se Ele aparecesse de repente em cena, como fez na passagem que lemos?

 

Quando os judeus exigiram um sinal de Jesus para provar Sua autoridade para expulsar todos os cambistas e vendedores de animais, Cristo respondeu dizendo: “Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias" (João 2:19). Obviamente, Ele não estava falando do templo, mas de Seu próprio corpo, o templo do Espírito Santo. Cada um de nós, como cristãos, é um indivíduo com o mesmo templo do Espírito Santo. Paulo, o apóstolo, em sua primeira carta aos coríntios, disse:

 

19Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? 20Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o corpo de vocês (1 Coríntios 6:19,20).

 

O Espírito Santo quer banir do Seu templo tudo o que corrompe e inibe a paz na vida de um homem. Hoje pode ser um bom dia para convidar o Senhor Jesus a voltar ao seu templo pelo Seu Espírito e expulsar o que O desagrada. Podemos nem estar cientes do que ofende o Senhor, se é algo pelo qual nos tornamos dessensibilizados. Uma das tarefas do Espírito Santo é nos esclarecer sobre as áreas que Deus quer mudar. Reserve um tempo para pensar no que Deus precisa purificar em sua vida a fim de levá-lo a uma liberdade espiritual maior.