8. Jesus and the Samaritan Woman

8. Jesus e a Mulher Samaritana

No terceiro capítulo de João, vimos o Senhor Jesus alcançando o coração de Nicodemos, um homem religioso e sedento. No quarto capítulo, vemos Cristo alcançando o coração de uma mulher sedenta e de diferente etnia, os samaritanos:

 

1Os fariseus ouviram falar que Jesus estava fazendo e batizando mais discípulos do que João, 2embora não fosse Jesus quem batizasse, mas os seus discípulos. 3Quando o Senhor ficou sabendo disso, saiu da Judéia e voltou uma vez mais à Galiléia. 4Era-lhe necessário passar por Samaria. 5Assim, chegou a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José. 6Havia ali o poço de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se à beira do poço. Isto se deu por volta do meio-dia. (João 4:1-6)

 

Entendendo a Inimizade entre Samaritanos e Judeus

 

Para entender a razão da animosidade entre judeus e samaritanos, é preciso considerar a origem da cultura religiosa dos samaritanos. Cerca de setecentos anos antes da conversa entre Jesus e uma mulher samaritana (723 aC), as dez tribos do norte de Israel foram deportadas para a Assíria. A partir desse momento, toda aquela região foi chamada Samaria. O rei da Assíria reassentou a terra com pessoas de cinco nações diferentes que adoravam diferentes deuses falsos (2 Reis 17:24). Por causa da adoração desses falsos deuses em Sua terra, as Escrituras dizem que o Senhor enviou leões entre eles, que mataram algumas pessoas (2 Reis 17:25). O rei da Assíria enviou um sacerdote dos israelitas para ensinar o povo a adorar o Senhor, mas o que aconteceu foi uma religião falsa e mista na qual adoravam o Senhor e, ao mesmo tempo, serviam seus próprios deuses das terras de origem (2 Reis 17:33). A adoração falsa estava centrada no monte Gerizim, onde os samaritanos construíram um templo – bem perto do poço de Jacó, onde Jesus agora estava sentado descansando.

 

No ano de 129 a.C., o general judeu, João Hircano, liderou um ataque contra Samaria e destruiu o templo samaritano no Monte Gerizim. Os judeus consideravam os samaritanos piores que os gentios (não judeus) por causa de sua corrupção do judaísmo autêntico. Depois de qualquer uma das três festas de Israel a que os judeus participavam, se um judeu estivesse viajando de Jerusalém para o norte de Israel, ou seja, a região da Galileia e Nazaré, eles normalmente desciam no vale do rio Jordão e evitavam completamente o território samaritano. Essa rota significava que levaria dois ou três dias a mais para percorrer a distância. Na passagem que estamos estudando hoje, Jesus não estava fazendo o caminho mais longo, mas sim percorrendo a rota direta, de aproximadamente oitenta e oito quilômetros, de volta à Galileia e viajando pelas colinas no território samaritano. Sicar estava nas montanhas, a aproximadamente trinta quilômetros de Jerusalém. Clique abaixo se você deseja ver um mapa do terreno:

 

http://bibleatlas.org/full/road_to_jerusalem.htm

 

O povo judeu muitas vezes não era bem-vindo para ficar (Lucas 9:53); tal era o ódio dos samaritanos pelos judeus e dos judeus pelos samaritanos. Quando Jesus se sentou no poço, a hostilidade entre samaritanos e judeus tinha mais de quatrocentos anos. A palavra grega traduzida como "tinha que" significa ser necessário. Era necessário que Jesus atravessasse Samaria, e não o longo caminho pela direção do vale do Jordão.

 

Pergunta 1) O que o apóstolo João quis dizer quando escreveu que Jesus tinha que passar por Samaria? Qual pode ter sido o motivo dEle para escolher essa rota? (Verso 4).

 

Alguns diriam que Jesus estava tentando maximizar o tempo seguindo esse caminho, mas é evidente que algum outro compromisso anterior não estava em sua mente porque, quando aquela mulher samaritana entrou na vila e compartilhou às pessoas sobre Jesus, Ele ficou mais dois dias com eles (versículo 40). O motivo pelo qual Jesus teve que passar por Samaria foi atender à necessidade dessa mulher e também das pessoas que ela levou ao Salvador. Jesus sempre teve tempo para as pessoas, independentemente do pecado que cometeram ou do estilo de vida delas, Jesus as alcançaria. Ele atraiu aqueles que estavam espiritualmente sedentos e estava sempre disponível para revelar o coração do Pai a eles. “Eu lhes digo verdadeiramente que o Filho não pode fazer nada de si mesmo; só pode fazer o que vê o Pai fazer, porque o que o Pai faz o Filho também faz” (João 5:19).

 

Jesus o Evangelista

 

Estudiosos identificaram Sicar (a cidade mencionada, onde Jesus e Seus discípulos ficaram) com Siquém, e com a aldeia agora chamada Askar, na encosta sudeste do Monte Ebal. Os locais de Siquém, a vila de Askar, e o poço onde Jesus alcançou a mulher samaritana formam um triângulo, com cada lado medindo cerca de 800 metros. João escreve que os discípulos foram juntos à cidade buscar comida enquanto Jesus descansava no poço. Alguém pode se perguntar: por que alguns dos discípulos não ficaram com Jesus, não seria uma excelente oportunidade para Pedro, Tiago ou João passarem algum tempo de qualidade com Ele? É quase como se Jesus soubesse que a mulher samaritana estava a caminho do poço, provavelmente passando pelos discípulos enquanto caminhavam poucos metros à cidade. Teria Jesus enviado todos eles à cidade a fim de que pudesse conversar com aquela mulher samaritana sem distração?

 

Viajar pelo território samaritano não parece ter sido uma oportunidade acidental, mas sim previamente combinada pelo Pai para que a mulher viesse ao mesmo tempo em que Jesus havia se sentado ao lado do poço. No capítulo anterior, vimos uma conversa iniciada por Nicodemos, mas aqui vemos o Senhor Jesus buscando e salvando o que foi perdido, isto é, uma mulher que era considerada inimiga para muitos na nação judaica. É um belo pensamento que Deus tenha intervindo na vida de muitos que estavam perdidos para Ele. “Fiz-me acessível aos que não perguntavam por mim; fui achado pelos que não me procuravam. A uma nação que não clamava pelo meu nome eu disse: Eis-me aqui, eis-me aqui” (Isaías 65:1). Para muitos de nós o Senhor veio quando não procurávamos por Ele. Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi” (João 15:16). Era meio-dia, sexta hora no relógio judaico, e Jesus já havia caminhado trinta quilômetros de Jerusalém (v. 6), então ele se sentou no poço. Embora Ele seja totalmente Deus, o Senhor também é 100% humano. Para assumir plenamente a carne e ser nosso Mediador, Cristo participou de nossas fraquezas ao se cansar após a caminhada de trinta quilômetros pelas colinas. Sendo totalmente Deus e conhecendo todos os homens e mulheres, Ele sabia que ela já tivera cinco maridos e o homem com quem estava naquele momento não era seu marido (v. 18).

7Nisso veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: "Dê-me um pouco de água". 8( Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida. ) 9A mulher samaritana lhe perguntou: "Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber? " ( Pois os judeus não se dão bem com os samaritanos. ) 10Jesus lhe respondeu: "Se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você lhe teria pedido e ele lhe teria dado água viva". 11Disse a mulher: "O senhor não tem com que tirar a água, e o poço é fundo. Onde pode conseguir essa água viva? 12Acaso o senhor é maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu, bem como seus filhos e seu gado? " 13Jesus respondeu: "Quem beber desta água terá sede outra vez, 14mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna". 15A mulher lhe disse: "Senhor, dê-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise voltar aqui para tirar água". (João 4:7-15)

 

Pergunta 2) Por que essa mulher viria buscar água na parte mais quente do dia? Por que Jesus começou uma conversa pedindo-lhe água para beber? O que a atitude de Cristo em oferecer ajuda àquela mulher nos ensina sobre o Seu caráter?

 

Ter tido cinco maridos e outro que não era seu marido era uma situação bastante escandalosa em uma pequena cidade ou vila (v. 18). É provável que a mulher samaritana tenha chegado ao meio-dia para tirar água para evitar os sussurros e comentários das outras mulheres no horário habitual do amanhecer e do anoitecer. É útil entender como as mulheres eram tratadas na cultura do Oriente Médio naqueles dias. Em seu comentário sobre o Livro de João, William Barclay escreve:

 

Os rabinos estritos proibiam um rabino de cumprimentar uma mulher em público. Um rabino não podia falar em público com sua própria esposa, filha ou irmã. Havia até fariseus que eram chamados de "fariseus machucados e sangrentos" porque fechavam os olhos quando viam uma mulher na rua e, assim, vivavam-se paras as paredes ou entravam nas casas! Para um rabino ser visto falando com uma mulher em público era o fim de sua reputação - e, no entanto, Jesus falou com essa mulher. Ela não era apenas uma mulher; ela também era uma mulher de caráter notório. Nenhum homem decente, muito menos um rabino, teria sido visto em sua companhia, ou mesmo trocando uma palavra com ela - e ainda assim Jesus falou com ela.

 

Observe como Cristo iniciou a conversa. Ele pediu que ela o ajudasse com alguma coisa. Jesus pediu-lhe água – água de seu jarro. Este pedido foi chocante para ela. Ela podia dizer que esse homem era judeu simplesmente por Sua aparência e pelas borlas na bainha de Suas roupas de oração. Não só ela era samaritana, mas também mulher, mas Ele estava pedindo para beber de seu jarro de água, algo que geralmente era nojento para uma pessoa judia. No entanto, este era Jesus, e as barreiras culturais comuns não incomodavam Ele. Ela era uma mulher necessitada, e então Jesus a alcançou. Observe também que Jesus não disse a ela “O que é” que ela deveria receber, mas “Quem” (v. 10). Não é uma "coisa" que se busca, isto é, um sistema de crenças específico ou um mistério a ser revelado; ao contrário, o Evangelho é sobre a pessoa de Cristo e as Boas Novas que Ele traz. Ele É a Água Viva para nossas almas.

 

Quando minha esposa, Sandy, e eu éramos mais jovens, costumávamos trabalhar com equipes que saíam pelas ruas da Inglaterra a fim de conversar com pessoas a respeito de coisas espirituais. Também usávamos outros métodos de comunicação como a dramatização e a prancheta, e diversas maneiras para alcançar as pessoas com o Evangelho. Esse ministério é mais fácil de ser realizado na Inglaterra, pois os centros das cidades são projetados para pedestres, e carros geralmente não são permitidos. As pessoas passam o tempo caminhando e fazendo compras por ali.

 

Uma das maneiras de envolvermos as pessoas em conversas sobre o Evangelho foi por meio de pesquisas. Perguntávamos se elas tinham tempo para uma lista de perguntas de dois ou três minutos. A maioria dos ingleses estão acostumados a serem solicitados a ajudarem em pesquisas de negócios; portanto, usamos uma lista de perguntas sobre tópicos espirituais que podem levar a uma conversa sobre Cristo e Seu Evangelho.

 

Pessoas são geralmente muito mais abertas quando lhes são solicitadas a ajudar em alguma coisa. Jesus sabia como alcançar as pessoas no ponto da necessidade. O Senhor começou pedindo ajuda àquela mulher. Ele tinha uma necessidade prática de beber água. O poço de Jacó em Sicar tinha mais de trinta metros de profundidade, e Jesus não tinha balde, corda ou um jarro. Ele não se importaria de beber do jarro de água da mulher samaritana, pois desejava lhe dar Água Viva, algo muito mais importante. A conversa dele despertou a curiosidade e a fome espiritual dela. Jesus usou um tópico natural (água) para construir uma ponte de comunicação a fim de revelar a verdade espiritual.

 

A samaritana ficou totalmente chocada ao ver que aquele judeu de trinta anos conversava com ela e lhe pedia água. Ela não estava acostumada a ser abordada por homens em público, principalmente por um homem judeu. Ela não esperava ser reconhecida, mas Jesus não apenas pediu-lhe água, como também lhe ofereceu da Água viva. Ele fez uma declaração sobre o dom de Deus destinado a provocá-la a pedir a Ele um copo desta Água Viva.

 

Vemos Jesus liderar uma conversa que abriu o coração da samaritana. O Senhor não apenas atravessava as fronteiras culturais, mas também se aventurava em tópicos controversos com as pessoas. Se você nunca tentou conversar com estranhos sobre o problema de suas almas, talvez possa ter uma experiência enriquecedora. Se for feito com os motivos certos, o amor de Cristo poderá brilhar.

 

As pessoas querem conversar sobre assuntos como a respeito da eternidade, mesmo que isso possa ser desconfortável para alguns. O Senhor queria abrir os olhos dessa mulher para o dom de Deus e mostrar a ela que ela poderia ser perdoada e ter Água Viva para sua alma. Sempre que conversávamos com as pessoas nas ruas, Sandy e eu perguntávamos se elas já haviam sido informadas sobre o dom de Deus. Isso muitas vezes levava uma pessoa para uma discussão mais aprofundada sobre o Evangelho de Cristo. Aqui está um exemplo do tipo de perguntas que fazemos a essas pessoas, esperando que resultem em diálogo:

 

Você está interessado pelas coisas espirituais?

O que você considera a maior necessidade do homem hoje?

Alguém já lhe falou sobre o dom de Deus?

Se alguém lhe perguntasse: "O que é um verdadeiro cristão?", o que você responderia?

Você já descobriu pessoalmente Jesus Cristo ou ainda está no processo?

Você acha que é possível ter certeza de que irá para o céu quando morrer?

Algum dia, quando você estiver diante de Deus, que razão você dará a Ele sobre o motivo pelo qual Ele deveria deixar você entrar em Seu reino?

 

A nossa esperança de envolver as pessoas nesse tipo de conversa era alcançar um nível mais profundo de diálogo. Às vezes, acontecia, outras vezes não. Muitas vezes tivemos a chance de orar pelas pessoas no ponto de necessidade. Para alguns, era um compromisso divino. Aqueles que estavam ocupados demais para pararem podem até ter ouvido uma pergunta ou declaração que o Espírito Santo chamaria a atenção deles mais tarde. Era um ministério de plantio de sementes. Vamos examinar mais de perto esse compromisso divino que Jesus teve com a mulher samaritana. Ele trouxe à tona o assunto sobre Deus querer dar-lhe um presente (v. 10).

 

Sedento por Deus

 

Jesus estava falando em termos espirituais sobre a sede da presença de Deus na vida de alguém, mas a mulher ainda estava pensando que Ele falava literalmente sobre água. O senhor não tem com que tirar a água, e o poço é fundo. Onde pode conseguir essa água viva?” (v.11). Cristo respondeu dizendo a ela que uma pessoa que recebe a água viva nunca terá sede. No Antigo Testamento, muitos versículos falam sobre a sede por Deus como alguém sedento por água, ou seja, “Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Salmos 42:1, 2; Isaías 55: 1; Jeremias 2:13; Zacarias 13:1). A sede espiritual é indicativa de uma consciência de que algo está faltando na vida de uma pessoa, ou seja, um desejo interior, mas muitos não conseguem identificar o motivo desse vazio interior.

Há vários anos, o príncipe Charles da Inglaterra falou de sua crença de que, apesar de todos os avanços da ciência, “permanece profundamente na alma (se eu ousar usar essa palavra) uma ansiedade persistente e inconsciente de que algo está faltando, algum ingrediente que faz a vida valer a pena ser vivida. ” A Bíblia chama essa ansiedade persistente e inconsciente de sede da alma. É um desejo interior de algo sobre o qual não se consegue entender. Deus nos "arraigou" para um relacionamento consigo mesmo. Esse vazio da alma é do tamanho de Deus, e até que estejamos unidos a Ele pelo arrependimento do pecado e pelo recebimento de Cristo, continuaremos a ter esse anseio interior não realizado. Tentamos preencher o vazio com sexo, drogas, trabalho, moda, carros, casas, empregos e muitas outras coisas, mas nada além do que o próprio Deus pode saciar a nossa sede espiritual. Jesus falou com a mulher em termos sobre o dom de Deus.

 

Pergunta 3) Você já tentou preencher sua vida com outras coisas e ainda assim continuou sentindo um vazio em sua alma? Que coisas foram essas? O que é um dom, e o que se entende por dom de Deus? Por que o Senhor disse que ela deveria Lhe pedir o dom de Deus antes que pudesse ser recebido? (v. 10).

 

O Dom de Deus

 

O Senhor falou à mulher que o dom de Deus atenuaria sua sede por água viva. Um presente é algo que é totalmente desprovido de obras para conquistá-lo. Para usar um exemplo, pense em uma família na época do Natal, a época habitual do ano em que os presentes são dados no mundo ocidental. Os presentes são fornecidos com base na graça dos pais, e não se a criança fez ou não algo para ganhar o que recebe. Mesmo que uma criança fizesse algo muito desobediente na véspera de Natal, ainda é raro, de fato, que os pais retenham o presente na manhã de Natal. Duas coisas nas Escrituras são referidas como o dom de Deus: o dom da vida eterna (Romanos 6:23) e o dom do Espírito (Atos 2:38), eles são o mesmo. O dom de Deus é o ato do Seu Espírito entrando na vida de alguém, resultando no novo nascimento. A entrada do Espírito na vida de alguém é o dom da vida eterna, e este dom é concedido quando Cristo é convidado à vida de uma pessoa, quando alguém crê e confia na obra consumada de Cristo na cruz.

 

Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie (Efésios 2:8-9).

 

Se você pudesse chegar ao céu sendo bom, consegue imaginar o nível de vanglória que teria? Se Deus recompensasse as pessoas apenas com base em suas boas obras, quantas boas obras seriam necessárias para alcançar o céu? Existe um número mágico de boas ações? Todos contam o mesmo? E se uma pessoa fizer menos boas ações do que a outra, haveria um ponto em que apenas uma pessoa iria para o céu e a outra seria rejeitada pelo Pai? É claro que isso não faria sentido. No entanto, podemos confiar que o Pai conhece o coração de cada pessoa e entende os motivos de todos nós. Faz sentido que Deus julgue as pessoas pela resposta de seus corações ao Seu dom da vida eterna. Nesta vida, nunca podemos alcançar a perfeição, mas Jesus é perfeito, e Ele deu a vida em nosso lugar.

Certa vez, conversei com uma pessoa sobre se tornar um cristão. Ele respondeu dizendo que estava bastante confiante de que, quando morresse, iria para o céu porque havia retirado dois homens de um avião acidentado. Deus certamente não levaria em conta seu estilo de vida ímpio por causa de sua coragem em arriscar a própria vida para salvar outros. Tentei mostrar a ele que a salvação era um presente que se recebe, não um feito que uma pessoa faz para ganhar a vida eterna no céu, mas ele não via dessa maneira. Ele estava bastante confiante de que seu ato de bravura seria suficiente para salvar sua alma. Este dom de Deus, isto é, a vida eterna através de Jesus Cristo, nosso Senhor, é dado quando alguém é confrontado com sua falência espiritual diante do Deus santo e se arrepende ou se volta para Cristo e vive para agradar a Deus, não a si mesmo.

Jesus disse que esse dom é recebido pedindo a Ele (v. 10). Quando a mulher samaritana Lhe pediu água viva (v. 15), muitos de nós teriam orado para que ela recebesse Cristo, mas Jesus mudou a direção em que estava seguindo, levantando outra questão:


 

15A mulher lhe disse: "Senhor, dê-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise voltar aqui para tirar água". 16Ele lhe disse: "Vá, chame o seu marido e volte". 17"Não tenho marido", respondeu ela. Disse-lhe Jesus: "Você falou corretamente, dizendo que não tem marido. 18O fato é que você já teve cinco; e o homem com quem agora vive não é seu marido. O que você acabou de dizer é verdade" (João 4:15-18).


 

Pergunta 4) Por que Jesus pediu que ela trouxesse o marido? Por que Ele simplesmente não deu a ela a água sobre a qual havia falado?

 

 

Jesus Trouxe a Questão do Pecado

 

Quando a mulher respondeu que queria essa água viva, Jesus disse-lhe: "Vá, chame o seu marido e volte" (v.16). A mulher desejava beber a água vivificante, mas, para ela receber, a questão de seu pecado foi trazida por Jesus. O Senhor disse-lhe para trazer o marido, sabendo que ela não tinha marido.

 

João, o Apóstolo, menciona apenas uma das coisas que o Senhor sabia a respeito do que estava acontecendo em sua vida, ou seja, o fato de ela ter tido cinco maridos e o homem com quem estava vivendo naquele momento não era seu marido. João nos diz que a mulher foi para os outros habitantes da cidade, dizendo: "Venham ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. Será que ele não é o Cristo? "(v.29). Nós não sabemos a história toda; só temos um vislumbre escrito por João, o Apóstolo. Pode ter havido muito mais nessa conversa. Nós sabemos que Jesus falou com ela a respeito do passado pecaminoso que ela viveu, mas Ele a amou de qualquer maneira e lhe deu o presente da vida eterna.

 

A menos que uma pessoa enfrente seu pecado e o abandone e olhe para Cristo, ela não pode ser liberta para experimentar uma nova vida em Cristo. Jesus disse que ninguém poderia amar dois senhores (Mateus 6:24); foi assim que a religião samaritana surgiu. As Escrituras dizem que adoravam o Senhor, mas também serviram a seus próprios deuses de onde foram trazidos (2 Reis 17:33). Cada um de nós deve reconhecer o seu pecado e vê-lo da maneira como Deus vê. Quando você reconhecer e abandonar seu pecado, Cristo o perdorá e o purificará:

 

Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse: "Confessarei as minhas transgressões ao Senhor", e tu perdoaste a culpa do meu pecado (Salmos 32:5).

"Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo (Atos 2:38).


 

Quando o dom de Deus, o Espírito Santo, entra na vida de uma pessoa, Ele traz uma novidade de vida. O Espírito de Deus que vive dentro de você é visto como Água Viva espiritual brotando para a vida eterna (João 4:14). Nicodemos precisou ver que sua justiça própria não o levaria ao céu; ele teve que nascer de novo. Essa mulher também precisava ver que suas escolhas de estilo de vida e crenças espirituais sobre adoração também não a levariam para o céu. O estilo de vida e escolhas dos dois não poderiam ter sido mais diferentes, mas as necessidades espirituais dessas duas pessoas eram as mesmas. A mulher samaritana viu imediatamente que aquele Homem sabia tudo sobre ela:


 

19Disse a mulher: "Senhor, vejo que é profeta. 20Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar". 21Jesus declarou: "Creia em mim, mulher: está próxima a hora em que vocês não adorarão o Pai nem neste monte, nem em Jerusalém. 22Vocês, samaritanos, adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. 23No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura. 24Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade". 25Disse a mulher: "Eu sei que o Messias (chamado Cristo) está para vir. Quando ele vier, explicará tudo para nós". 26Então Jesus declarou: "Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você". (João 4: 19-26).

 

A Conversão da Mulher Samaritana

 

No versículo 20, a mulher levanta a questão de onde deveria ser o local correto para adoração, o monte Gerizim, em Samaria, ou Jerusalém, 48 km ao sul de Judá. Duas coisas podem estar acontecendo aqui. 1) Essa questão pode ser o que os evangelistas costumam chamar de "cortina de fumaça", ou seja, um esforço da pessoa para distrair a conversa para outra coisa, porque a pessoa se sente desconfortável ao falar sobre a questão de sua alma. Se esse foi o caso, Jesus respondeu rapidamente à sua pergunta antes de trazê-la de volta à sua necessidade espiritual, ou seja, sua sede pela Água Viva. 2) Por outro lado, sua conversa sobre onde ela deveria estar adorando no futuro poderia ter sido válida. Agora, ela queria adorar a Deus e estava questionando onde deveria adorá-Lo. O Senhor respondeu que não se trata mais de um lugar, mas que todos podem adorar exatamente onde estão.

 

O Senhor então começou a mostrar à mulher samaritana quem Ele era e é, o Messias de Israel (v. 26). Ele contou a ela coisas sobre sua vida que somente Deus poderia saber:

 

27Naquele momento os seus discípulos voltaram e ficaram surpresos ao encontrá-lo conversando com uma mulher. Mas ninguém perguntou: "Que queres saber? " ou: "Por que estás conversando com ela? " 28Então, deixando o seu cântaro, a mulher voltou à cidade e disse ao povo: 29"Venham ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. Será que ele não é o Cristo? " 30Então saíram da cidade e foram para onde ele estava (João 4: 27-30).

 

Que alegria agora inundou sua alma! Ela não conseguiu se conter, pois esqueceu completamente a garrafa de água (versículo 28) e correu para a cidade. Vemos a evidência de um coração mudado imediatamente, pois ela pensava nos outros. Ela não se importava com o modo como os habitantes da cidade a haviam evitado por sua promiscuidade. Ela tinha que lhes contar sobre Jesus – se não houver cuidado com os outros, é preciso questionar se Cristo se tornou o centro da vida de uma pessoa. Ela pediu que eles viessem a Jesus. Sua dureza se foi, seu pecado foi perdoado, e ela estava livre da culpa e vergonha ao passar de uma casa para outra, chamando todos a virem ao poço para encontrar a Cristo. Esta mulher estava agora cheia do Espírito! Ela não conseguiu se conter. Seu único encontro com o Filho de Deus e a experiência do amor dele por ela mudaram instantaneamente sua vida.

 

Seu desejo imediato era que outros encontrassem “Aquele que lhe contou tudo o que ela já fez”, “Este poderia ser o Messias? ” – ela exclamou. A mulher estava tão iluminada pelo Espírito que sua paixão e nova vida imediatamente chamaram a atenção de muitos samaritanos da cidade, e eles vieram conhecer esse rabino judeu. Mais tarde, eles testemunharam que inicialmente acreditavam apenas na força de sua vida e testemunho mudados, dizendo: "Agora cremos não somente por causa do que você disse, pois nós mesmos o ouvimos e sabemos que este é realmente o Salvador do mundo" (v.42). Nunca subestime o poder de sua simples história de como Cristo veio à sua alma e mudou sua vida. Muitos ao nosso redor estão sedentos por uma nova vida, e tudo o que precisam é que alguém lhes diga que eles também podem experimentar esse dom da vida eterna por meio de Cristo.

 

O que podemos aprender com o encontro de Jesus e a mulher samaritana para nos ajudar a alcançar outras pessoas?

 

1) Esteja disponível. Jesus estava pronto para receber instruções do Pai. Peça a Deus por essas oportunidades e esteja preparado para mudar seus planos ou sair do seu caminho, se necessário.

 

2) Compartilhe sua história. Se você experimentou a graça de Deus, tem uma história para contar. É a sua história. Se você compartilhar de forma honesta e genuína, as pessoas serão atraídas para a graça de Deus em sua vida.

 

3) Não evite tópicos difíceis. As pessoas geralmente estão convencidas de que seu pecado as impedemde receber o dom de Deus. Muitas pessoas pensam que precisam melhorar a si mesmas antes de virem a Deus, mas Jesus veio para colocar a barreira do pecado fora do caminho de desfrutar do dom da graça.

 

4) Compartilhe sem julgamento. Você é uma pessoa que encontrou a Água Viva e pode apontar as pessoas para a fonte dessa Água: o próprio Cristo. Que alegria e alívio é quando percebemos que esse é o Seu trabalho e que é tudo sobre Ele. Estamos apenas apontando o caminho para a Fonte Divina, o próprio Jesus. Pessoas que reconhecem suas necessidades sempre serão atraídas por Ele!

 

Por quem, que tem a necessidade de conhecer a Cristo, você pode orar hoje? Para quem você pode contar sua história? Talvez você possa encerrar este tempo de estudo bíblico orando por pessoas de seu círculo de amigos ou familiares, para que possam estar abertos a ouvirem a sua história de como Cristo mudou sua vida.

 

Oração:“Deus Pai, abra meus olhos para aqueles que estão espiritualmente famintos ao meu redor. Dê-me as palavras certas para despertar-lhes sua fome espiritual. Use-me para ajudar a atraí-los para o Senhor, Pai. Ensine-me a ser sensível às necessidades de outras pessoas e me mostre como comunicar Seu amor aos outros. Peço que o Senhor abra meus olhos para Seus compromissos divinos em minha vida e alcance os outros através de mim. Use-me como um canal de Sua graça. Amém."

 

Keith Thomas

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