2. A Man Sent by God

2. Um Homem Enviado por Deus

João 1:19-34

O Evangelho segundo João

 

Hoje, leremos sobre um homem estranho que viveu no deserto (Lucas 1:80) e seguiu uma dieta muito mais estranha do que a maioria de nós já experimentou. Sua dieta era gafanhotos e mel silvestre. Ele não apenas comia uma comida exótica, mas também parecia estranho, tinha cabelos compridos, vestia roupas feitas de pelos de camelo e um cinto de couro ao seu redor (Marcos 1:6). No entanto, Jesus disse sobre esse homem, João Batista, que não havia outro maior:

 

Digo-lhes a verdade: Entre os nascidos de mulher não surgiu ninguém maior do que João Batista; todavia, o menor no Reino dos céus é maior do que ele (Mateus 11:11).

 

O que havia em João Batista que lhe valeu o grande louvor de Jesus, chamando-o de o maior homem (além de Cristo) que já havia vivido? As escrituras nos dizem que João Batista nunca realizou um milagre ou sinal (João 10:41); portanto, quando você pensa nos grandes profetas como Moisés, Elias e Eliseu, que fizeram vários milagres, sem mencionar Daniel, Jeremias e outros, o que foi que tornou João tão grande aos olhos de Jesus?

 

Lemos no Evangelho de Lucas que João não apenas nasceu da tribo de Levi (Lucas 1: 5-9), mas também era um dos descendentes de Arão, ou seja, o que automaticamente fazia dele um sacerdote. Sua mãe, Isabel, era estéril e idosa, e seu pai também já tinha idade avançada para ter filhos. Então Deus agiu sobrenaturalmente em suas vidas para dar-lhes João na velhice. O pai de João, Zacarias, o sacerdote, teve um encontro com um anjo no templo enquanto ele oferecia incenso em frente à cortina que separava o Santo dos Santos do Santo Lugar, ou seja, os dois cômodos dentro do templo. O anjo disse a Zacarias que suas orações foram respondidas e que sua esposa teria um filho. Zacarias tornou-se mudo devido à sua descrença nas palavras do anjo (Lucas 1:20).

 

Depois de ter sido concebida pelo Espírito Santo, Maria, mãe de Jesus, visitou Isabel no sexto mês de gravidez de João. Tanto Isabel quanto João, ainda não-nascido, foram cheios do Espírito quando Jesus, ainda não-nascido, veio diante de ambos. Quando João nasceu, a língua de seu pai foi solta, com Zacarias profetizando que João seria um profeta do Senhor (Lucas 1:76). A cura e o testemunho de Zacarias sobre a mensagem do anjo trouxeram grandes expectativas ao povo judeu, pois, até aquele momento, haviam passado quatrocentos anos sem que nenhum profeta lhes fosse enviado. O último profeta havia sido Malaquias, que falou da vinda do precursor do Messias (Malaquias 4:5-6).

 

Devido ao seu nascimento sobrenatural, a vida de João foi seguida de perto em decorrência ao seu nascimento no sacerdócio e por ser chamado a ser separado por Deus no nascimento, fazendo um voto de nazireu (Lucas 1:15). Seus cabelos não podiam ser cortados, ele também não podia tocar em nada morto, nem comer ou beber nada da videira, por exemplo, uvas, vinho ou passas (Números 6: 2-6). Algo aconteceu com João em sua infância, porém, para que ele não crescesse no luxo da classe sacerdotal. Até onde sabemos, ele não passou pela yeshiva ou pelo seminário, mas Deus o levou a viver nas regiões desertas desde a infância:

 

E o menino crescia e se fortalecia no espírito; e viveu no deserto, até aparecer publicamente a Israel (Lucas 1:80).

 

1 Pergunta) Por que Deus levou esse homem a viver no deserto, em preparação para o seu ministério? Você já passou ou está passando por uma experiência espiritual no deserto, onde tudo parece seco e árido? O que Deus quer nos ensinar em tais experiências?

 

A maior necessidade de então e de agora é que Deus levante homens e mulheres que ouvirão e conhecerão a Sua voz. Isso não é fácil em nossas vidas ocupadas, guiadas por objetivos, voltadas para o sucesso e excesso de trabalho. Deus não hesita em falar conosco; o problema é a nossa habilidade de desacelerar nossas vidas ocupadas para ouvi-Lo. Jó disse: “Pois a verdade é que Deus fala, ora de um modo, ora de outro, mesmo que o homem não o perceba” (Jó 33:14). O problema é a nossa percepção. João Batista aprendeu a sobreviver no deserto ou nas regiões desertas da Judéia, vivendo fora da terra enquanto aprendia a ouvir a voz de Deus. É interessante que Jesus, Moisés, Josué e Jacó passaram muito tempo no deserto ou em regiões áridas e vazias. Paulo, o Apóstolo, disse que após sua conversão ele foi para a Arábia, uma região muito deserta (Gálatas 1:17). Quando os dois milhões de israelitas deixaram o Egito, Deus os separou para lugares desertos para ensinar-lhes que o homem não vive apenas de pão, mas de toda palavra que vem de Deus.

 

2Lembre-se de como o SENHOR, o seu Deus, os conduziu por todo o caminho no deserto, durante estes quarenta anos, para humilhá-los e pô-los à prova, a fim de conhecer suas intenções, se iriam obedecer aos seus mandamentos ou não. 3Assim, ele os humilhou e os deixou passar fome. Mas depois os sustentou com maná, que nem vocês nem os seus antepassados conheciam, para mostrar-lhe que nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca do SENHOR. 4As roupas de vocês não se gastaram e os seus pés não incharam durante esses quarenta anos (Deuteronômio 8:2-4).

 

Eu morei em Israel por um ano e meio no final dos anos 70 e início dos anos 80. Enquanto estava lá, pude ficar uma semana em Berseba, a cidade israelense mais ao sul, à beira do deserto de Negev. Uma manhã, saí para o deserto para experimentar como era viver em um deserto árido. Tomei cuidado para não ir muito longe, caso não conseguisse encontrar o caminho de volta. O que me abalou foi a solidão e a quietude. Não havia vento e apenas um pássaro ocasional se aproximava. No deserto, tudo o mais é despojado. É estar sozinho com apenas Deus para ouvir. É interessante notar que a palavra hebraica midbar, traduzida para o inglês com a nossa palavra deserto, é a raiz da palavra falar, sendo a palavra hebraica medibear. Um deserto é um lugar onde nada existe senão Deus, Sua voz buscando falar conosco e para nos dar Sua direção.

 

Deus nos permite passar por momentos em nossas vidas em que somos humilhados e testados, onde tudo o que parecemos fazer é estéril e improdutivo. Por quê? Moisés disse que havia duas razões: 1) Para que o Senhor chame nossa atenção e saiba o que está em nossos corações (Deuteronômio 8: 2). O Senhor chama esses tempos de teste. Não é que Deus precise saber o que está em seu coração; Ele já sabe tudo sobre nós. É que nós precisamos saber o que está em nossos corações e nos voltar para Ele. Só podemos mudar quando vemos nossos corações da maneira como Deus nos vê. 2) A segunda razão pela qual Ele nos leva a uma experiência no deserto é aprender a viver dos recursos de Deus, ou seja, apoiar-se nEle ouvindo todas as palavras que saem da boca do Senhor (v. 3).

 

No momento certo no programa de Deus, por volta dos trinta anos, João Batista havia começado seu ministério de chamar pessoas para o arrependimento. Deus começou a trazer multidões para o deserto para ouvir João Batista pregando sobre o arrependimento e batizando aqueles que queriam andar com Deus. Aqui abaixo está a mensagem que ele pregou:

 

"Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo". Este é aquele que foi anunciado pelo profeta Isaías: "Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele’ " (Mateus 3:2,3).

 

O Evangelho de Mateus nos diz que João Batista atraiu multidões de “Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão” (Mateus 3: 5- 6). De Jerusalém, são pelo menos 25 Km até a parte mais próxima do rio Jordão, para ser batizado. Lucas ainda nos diz que ele foi a todo o país ao redor do Jordão, pregando um batismo de arrependimento pelo perdão dos pecados. Se hoje você fosse transportado repentinamente para aquela área, encontraria um deserto árido. Este lugar fica ao norte de onde os pergaminhos do Mar Morto foram encontrados. É um deserto árido no lugar mais baixo do mundo, a três mil metros abaixo do nível do mar. Durante o inverno, é frio à noite e quente ao longo do dia, mas Deus levou as pessoas àquele lugar árido para serem batizadas por João.

 

Até aquele momento na história de Israel, apenas os gentios que se voltavam para o judaísmo eram batizados. Por causa desse novo rito religioso de batizar o povo judeu sem precedentes, uma delegação de sacerdotes e levitas foi enviada pelos setenta anciãos, o Sinédrio, com perguntas a João. Ao lermos o capítulo um, versículo 19, do evangelho de João, devemos entender que, quando João o Apóstolo escreveu seu evangelho, ele usa o nome "judeus" setenta vezes, referindo-se à elite religiosa dominante dos saduceus, fariseus e escribas. A delegação de judeus perguntou a João Batista quem ele era entre as três pessoas que eles estavam esperando.

 

19Esse foi o testemunho de João, quando os judeus de Jerusalém enviaram sacerdotes e levitas para lhe perguntarem quem ele era. 20Ele confessou e não negou; declarou abertamente: "Não sou o Cristo". 21Perguntaram-lhe: "E então, quem é você? É Elias? "Ele disse: "Não sou". "É o Profeta?" Ele respondeu: "Não". 22Finalmente perguntaram: "Quem é você? Dê-nos uma resposta, para que a levemos àqueles que nos enviaram. Que diz você acerca de si próprio? " 23João respondeu com as palavras do profeta Isaías: "Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Façam um caminho reto para o Senhor’ " (João 1:19-23).

 

Moisés havia falado aos israelitas que Deus os enviaria um profeta como ele: “O Senhor, o seu Deus, levantará do meio de seus próprios irmãos um profeta como eu; ouçam-no” (Deuteronômio 18:15). Esse profeta foi o Messias, Cristo. Deus também havia falado através do último profeta, Malaquias, quatrocentos anos antes, que antes que o Messias viesse, seria enviado a eles o profeta Elias: “Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e terrível dia do Senhor” (Malaquias 4:5). Então, a delegação dos judeus perguntou a João claramente: “Quem é você? Qual dos três você é? Você é o Messias, o profeta de quem Moisés falou, ou Elias? ” (João 1.19-21)

 

Sua resposta às perguntas deles nos diz muito sobre por que Jesus disse que, até aquele momento entre os nascidos de mulher, não havia ninguém maior que João Batista. Quando João poderia ter apontado para si mesmo e o que estava fazendo, ele respondeu que era apenas uma voz. O que fez João ser grande foi que ele era pequeno o suficiente para Deus usar. Ele era um homem de caráter totalmente dependente de Deus. Vamos pescar nessa lagoa por um tempo; vamos falar sobre caráter.

 

A Formação de um Homem de Caráter

 

Sempre que Deus deseja iniciar um novo trabalho de avanço significativo, Ele prepara e envia um homem (ou mulher) de caráter divino. Quanto maior o trabalho, maior a preparação interna da pessoa que Deus escolhe. A.W. Tozer disse uma vez: "Deus não pode usar grandemente um homem até que ele o tenha machucado profundamente". O plano de Deus nunca é métodos melhores, mas homens melhores. Algumas pessoas se enviam para ministrar antes mesmo de que Deus as envie.

 

A Igreja em geral seria mais prudente em preparar e equipar os servos de Deus antes de separá-los precipitadamente para o ministério. Paulo, o apóstolo, alertou Timóteo sobre isso. Ele disse: “Não se precipite em impor as mãos” (1 Timóteo 5:22). Não entregue liderança e responsabilidade a pessoas que não provaram ter um caráter moldado por Deus. O caráter divino deve ser formado no coração de um líder antes que um homem ou mulher de Deus possa ser enviado para realizar uma missão inovadora. Todo crente nascido de novo pode ser usado por Deus, mas agora estamos falando de uma posição de responsabilidade na Igreja, um ministério específico (Efésios 4:11). O Dr. Lloyd-Jones disse uma vez: “A pior coisa que pode acontecer a um homem é ter sucesso antes de estar pronto. ” Esse treinamento para aprender a depender de Deus e ouvir Sua voz foi o que preparou João Batista para ser o precursor do Messias.

 

2 Pergunta) O que queremos dizer por caráter e qual o perigo de enviar um homem ou uma mulher para realizar a obra de Deus sem antes ter o caráter formado por Ele?

 

Vejamos as qualidades essenciais do caráter necessárias para a liderança na igreja de Deus e, em seguida, examinaremos a aquisição dessas qualidades necessárias na vida de João Batista. A palavra grega para o caráter de um homem é charasso. O autor Frank Demazio nos esclarece sobre essa palavra em seu excelente livro, A Formação de um Líder. Ele diz:

 

Isso significa um entalhe, recuo, afiação, arranhão ou escrita em pedra, madeira ou metal. Essa palavra passou a significar uma máquina de gravar e um carimbo para fazer moedas. A partir disso, passou a significar o carimbo em relevo feito na moeda [...]. Essa palavra grega aparece no Novo Testamento apenas em Hebreus 1:3. Aqui, o escritor afirma que Cristo é o próprio caráter de Deus, o próprio selo da natureza de Deus e aquele em que Deus carimbou ou imprimiu Seu ser. Consequentemente, derivamos o significado de nossa palavra em inglês “caráter” como uma marca distintiva impressa, ou de outra forma formada por uma força externa (ou interna) sobre um indivíduo.

 

Quer percebamos ou não, os líderes são modelos. Se você é um líder, alguém está aprendendo não muito com o que você diz, mas com o que você faz. Nenhum homem é uma ilha só para si mesmo. Todos nós influenciamos alguém para o bem ou para o mal. Somos responsáveis pela impressão que deixamos na vida de outras pessoas. Deus vê tudo e sabe tudo. “Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hebreus 4:13). Ele nos recompensará de acordo com o quanto do caráter de Cristo está estampado no âmago de nossas vidas e nas vidas daqueles que influenciamos durante nossa vida neste mundo.

 

O caráter não é sobre a pessoa que você será no futuro, mas a pessoa que você é agora. É sobre o seu coração, vontade e motivações. A vida é uma série de testes que Deus preparou com antecedência e está realizando no presente. Esses testes são projetados por Deus para torná-lo a pessoa que Ele o chamou para ser. Cada teste que Deus nos permite experimentar constrói nosso caráter. O famoso evangelista D.L. Moody disse uma vez: "Se eu cuidar do meu caráter, minha reputação cuidará de si mesma". Um homem a caminho de se tornar um grande homem de Deus é alguém que se preocupa com as coisas que entram em sua mente e coração através dos portões dos cinco sentidos.

 

Faça a árvore boa, e os frutos serão bons (Mateus 12:33). Jesus disse: “Porque a sua boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6:45). O seu ministério é o transbordamento da natureza interior que você tem em seu relacionamento com Deus. Cultive sua vida particular com Deus, e os frutos da sua vida serão abundantes. Você é um produto da soma total de sua vida de pensamento interior, sua mente, vontade e coração. “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida” (Provérbios 4:23).

 

João não fez nenhuma afirmação sobre si mesmo, além de ser uma voz que clamava no deserto, a fim de fazer um caminho reto para o Senhor. Jesus nos disse em cada um dos outros três evangelhos que os fariseus e os líderes do povo não acreditavam que João havia sido autorizado por Deus para batizar (Mateus 21:26; Marcos 11:31; Lucas 20: 5). Os líderes dos judeus pensaram que haviam encurralado o mercado da religião em Israel, e certamente não haviam autorizado João a fazer algo que era um conceito estrangeiro em Israel, ou seja, batizar judeus por arrependimento. Os líderes religiosos e os fariseus não viram a necessidade de purificar o batismo.

 

24Alguns fariseus que tinham sido enviados 25interrogaram-no: "Então, por que você batiza, se não é o Cristo, nem Elias, nem o Profeta? 26" Respondeu João: "Eu batizo com água, mas entre vocês está alguém que vocês não conhecem. 27Ele é aquele que vem depois de mim, cujas correias das sandálias não sou digno de desamarrar". 28Tudo isso aconteceu em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando (João 1:24-28).

 

Traços do caráter de João Batista:

 

1. Não Comprometeu: João Batista não era homem de agradar pessoas! Não houve comprometimento de seus padrões morais. Quando o rei Herodes Antipas tomou a esposa de seu irmão Filipe como sua, João Batista o repreendeu e disse que não era lícito (Lucas 3:19), embora soubesse que Herodes era um homem violento e que poderia matá-lo por sua declaração. João permaneceu inabalável em sua fé e não comprometeu suas crenças fundamentais, mesmo diante de um rei irado. Sua moral intransigente lhe custou a vida. Herodes decapitou João.

 

2. João Abriu Mão de sua Congregação. Quando certos homens vieram a João Batista dizendo a ele que os discípulos de Jesus estavam "batizando, e todos estão se dirigindo a ele" (João 3:26), a atitude de João foi encher-se de alegria com essa notícia. Ele disse em resposta: “É necessário que ele cresça e que eu diminua ” (João 3:30). Essa atitude também é uma grande verdade para nós. Cristo em nós deve ter a preeminência, e o nosso caminho deve se tornar cada vez menos importante. A última coisa que João queria era que as pessoas olhassem para ele. Eles deveriam contemplar o Cordeiro.

 

3. A Testemunha do Cordeiro Substituto de Deus. Os judeus acreditavam e ainda ensinam que a passagem do Servo Sofredor de Isaías 53 se refere à nação de Israel. João Batista assegurou-lhes que o Cordeiro de Deus, o Servo Sofredor, estava no meio deles, Aquele que tiraria o pecado do mundo. As pessoas pararam de seguir João e começaram a seguir a Cristo devido ao testemunho de João. Um verdadeiro homem de Deus aponta para o Salvador e para longe de si mesmo.

 

4. Ele era humilde. As palavras de uma pessoa indicam onde seu coração está focado. João se intitulava apenas uma voz no deserto, um servo que não é digno de realizar as tarefas mais humildes para seu mestre, como desamarrar os sapatos de Jesus. Tudo o que ele queria fazer era apontar para o Salvador e depois sair do caminho. Faríamos bem em imitá-lo. Para fazer isso, não precisamos ir ao deserto. Não foi assim que Deus nos chamou. Ele nos chamou para ser um aprendiz (discípulo) e uma testemunha do que Ele fez em nós.

 

A Voz que Clama para o Arrependimento

 

Mais de quinhentos anos antes de João Batista aparecer em cena, o profeta Isaías profetizou que o ministério de João Batista seria limpar o caminho e abrandar o coração do povo, para quando o prometido Messias (Cristo) aparecesse em cena. Isaías disse:

 

3Uma voz clama: "No deserto preparem o caminho para o Senhor; façam no deserto um caminho reto para o nosso Deus. 4Todos os vales serão levantados, todos os montes e colinas serão aplanados; os terrenos acidentados se tornarão planos; as escarpas, serão niveladas (Isaías 40:3-4).

 

Merrill Tenney, em seu comentário, nos ajuda aqui:

 

A imagem foi tirada dos dias em que não havia estradas pavimentadas, apenas trilhas nos campos. Se um rei estava para viajar, a estrada deveria ser construída e suavizada para que a carruagem real não achasse a viagem indevidamente áspera, nem inundada na lama.

 

Juntamente com os israelitas nos dias de João Batista, muitos de nós andamos no deserto espiritual por muito tempo. Vamos do vale ao topo da montanha em nossa experiência de caminhar por essa vida. Estamos de pé e depois caímos de novo. É hora de o caminho que temos pela frente ser nivelado. O vale deve ser elevado, as colinas abaixadas, e a nossa terra áspera deve ser alisada.

 

A principal mensagem de João era para todas as pessoas em todos os lugares: "Arrependam-se, pois o reino dos céus está próximo" (Mateus 3:2). O arrependimento faz isso por nós. Muitos de nós carregam várias bagagens na jornada, e é hora de jogar fora todo peso que nos leva a tropeçar no caminho à nossa frente.

 

3 Pergunta) O que é arrependimento e qual o seu valor na vida cristã?

 

Arrependimento significa uma mudança de mentalidade, levando a uma mudança de direção. Basilea Schlink disse: "O arrependimento é o único portão pelo qual o evangelho é recebido". CH. Spurgeon, o grande pregador britânico, disse uma vez: "O pecado e o inferno são casados, a menos que o arrependimento proclame o divórcio. Deus em nenhum lugar se comprometeu a perdoar um pecado que o homem não está preparado para abandonar". A. W. Tozer usou a analogia da respiração, dizendo: "A exalação é tão necessária à vida quanto a inalação. Para aceitar a Cristo, é necessário que rejeitemos o que for contrário a Ele".

 

O arrependimento desenterra as raízes das coisas que nos mantêm cativos aos nossos pecados. É preciso haver arrependimento acompanhado por um ódio profundo pelas coisas que trazem veneno amargo ao nosso espírito e pensamentos. Eu costumava ter um pequeno jardim no qual cultivava verduras, morangos, tomates etc., mas logo aprendi que não bastava cortar as ervas daninhas, tinha que arrancar suas raízes também; caso contrário, meu jardim ainda produziria ervas daninhas. Não é suficiente cortar as plantas do pecado; nós temos que puxar as raízes também. Esse desenraizamento é o que o arrependimento faz.

 

Cuidem que não haja entre vocês nenhum homem ou mulher, clã ou tribo cujo coração se afaste do Senhor, do nosso Deus, para adorar os deuses daquelas nações, e para que não haja no meio de vocês nenhuma raiz que produza esse veneno amargo (Deuteronômio 29:18).

 

Nosso inimigo, Satanás, procura nos manter em nossos pecados através de uma forma fraca de religião, desprovida de mudança de vida, onde não há necessidade de arrependimento e velhos hábitos e pecados não são abandonados, um tipo de religião em que ainda somos mantidos como escravos do pecado. No Evangelho de Lucas, João Batista disse que há um fruto do arrependimento que Deus exige:

 

7João dizia às multidões que saíam para serem batizadas por ele: "Raça de víboras! Quem lhes deu a ideia de fugir da ira que se aproxima? 8Deem frutos que mostrem o arrependimento. E não comecem a dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. 9O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo". 10"O que devemos fazer então? ", perguntavam as multidões. 11João respondia: "Quem tem duas túnicas reparta-as com quem não tem nenhuma; e quem tem comida faça o mesmo". 12Alguns publicanos também vieram para serem batizados. Eles perguntaram: "Mestre, o que devemos fazer? " 13Ele respondeu: "Não cobrem nada além do que lhes foi estipulado". 14Então alguns soldados lhe perguntaram: "E nós, o que devemos fazer? " Ele respondeu: "Não pratiquem extorsão nem acusem ninguém falsamente; contentem-se com o seu salário" (Lucas 3:7-14).

 

Talvez algo que você tenha feito tenha ferido alguém; então, talvez, você precise ir para o que foi ferido e pedir perdão. Você também pode precisar pagar a restituição. Lembro-me, quando jovem cristão, de não ter tido paz dentro do meu coração depois de eu ter inadvertidamente rebocado minhas redes de arrasto por cima das redes de outro pescador fixadas em um determinado local. Só percebi que as tinha danificado quando o dia amanheceu. Eu pensei que tinha um motivo legítimo, porque estava pescando à noite e não conseguia ver as boias que marcavam a posição das redes dele. Mas Deus teve outras ideias! Não tive paz até que fui à casa do dono das redes e paguei-lhe dinheiro pelas redes perdidas.

 

O verdadeiro arrependimento afeta o que você faz. Sua vida começará a mudar à medida que o Espírito de Deus coloca o dedo em áreas da sua vida que Ele deseja que você corrija. Meu conselho é que você pergunte a Deus quais áreas da sua vida Ele deseja que você corrija e crie uma estratégia ou hábito que colocaria essa área sob o controle de Cristo.

 

29No dia seguinte João viu Jesus aproximando-se e disse: "Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! 30Este é aquele a quem eu me referi, quando disse: Vem depois de mim um homem que é superior a mim, porque já existia antes de mim. 31Eu mesmo não o conhecia, mas por isso é que vim batizando com água: para que ele viesse a ser revelado a Israel". 32Então João deu o seguinte testemunho: "Eu vi o Espírito descer do céu como pomba e permanecer sobre ele. 33Eu não o teria reconhecido, se aquele que me enviou para batizar com água não me tivesse dito: ‘Aquele sobre quem você vir o Espírito descer e permanecer, esse é o que batiza com o Espírito Santo’. 34Eu vi e testifico que este é o Filho de Deus" (João 1:29-34).

 

4 Pergunta) Por que João chamou Jesus de Cordeiro de Deus, em vez de Leão da tribo de Judá? O que foi significativo sobre o fato de Jesus ser chamado de Cordeiro?

 

O testemunho de João Batista foi que Jesus era e é o Messias. Ele havia testemunhado o Espírito Santo descer do céu e permanecer em Jesus. O Pai disse-lhe que, quando visse o Espírito descer sobre uma pessoa e permanecer, esse seria o Messias (v. 33).

 

Você está em um lugar seco e deserto em sua caminhada espiritual neste momento? Compartilhe sua experiência atual e ore um pelo outro. Ore por aqueles que especialmente sentem que estão em um lugar deserto e precisam ouvir Deus por algo que estão experimentando. Se Deus falou com você sobre uma área da sua vida que você acha que ainda está enraizada no pecado, arrependa-se, vire as costas para o pecado e peça a Deus por Sua ajuda.

 

Keith Thomas

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